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Terça-feira, 25 de Junho de 2002
SABEDORIA
Conta uma velha lenda dos índios Sioux, que uma
vez, Touro Bravo, o mais valente e honrado de todos os
jovens guerreiros, e Nuvem Azul, a filha do cacique, uma
das mais formosas mulheres da tribo, chegaram de mãos
dadas, até a tenda do velho feiticeiro da tribo... -
Nós nos amamos... e vamos nos casar - disse o jovem. E
nos amamos tanto que queremos um feitiço, um conselho,
ou um talismã... alguma coisa que nos garanta que poderemos
ficar sempre juntos... que nos assegure que estaremos
um ao lado do outro até encontrarmos a morte. Há algo
que possamos fazer?
E o velho emocionado ao ve-los tão jovens, tão apaixonados
e tão ansiosos por uma palavra, disse:
- Tem uma coisa a ser feita, mas é uma tarefa muito difícil
e sacrificada... Tu, Nuvem Azul, deves escalar o monte
ao norte dessa aldeia, e apenas com uma rede e tuas mãos,
deves caçar o falcão mais vigoroso do monte... e trazê-lo
aqui com vida, até o terceiro dia depois da lua cheia.
E tu, Touro Bravo - continuou o feiticeiro - deves escalar
a montanha do trono, e lá em cima, encontrarás a mais
brava de todas as águias, e somente com as tuas mãos e
uma rede, deverás apanhá-la trazendo-a para mim, viva!
Os jovens abraçaram-se com ternura, e logo partiram para
cumprir a missão recomendada... no dia estabelecido, à
frente da tenda do feiticeiro, os dois esperavam com as
aves dentro de um saco.
O velho pediu, que com cuidado as tirassem dos sacos...
e viu eram verdadeiramente formosos exemplares...
- Agora - disse o feiticeiro, apanhem as aves, e amarrem-nas
entre sí pelas patas com essas fitas de couro... quando
as tiverem amarradas, soltem-nas, para que voem livres...
O guerreiro e a jovem fizeram o que lhes foi ordenado,
e soltaram os pássaros... a águia e o falcão, tentaram
voar mas apenas conseguiram saltar pelo terreno.
Minutos depois, irritadas pela incapacidade do vôo, as
aves arremessavam-se entre si, bicando-se até se machucar.
E o velho disse:
- Jamais esqueçam o que estão vendo... este é o meu conselho.
Vocês são como a águia e o falcão... se estiverem amarrados
um ao outro, ainda que por amor, não só viverão arrastando-se,
como tambem, cedo ou tarde, começarão a machucar-se um
ao outro...
Se quiserem que o amor entre vocês perdure... voem juntos...
mas jamais amarrados.
Autor Desconhecido. Obrigado, Renata!
"E todo o que tiver deixado
casas, ou irmãos, ou irmãs, ou pai, ou mãe, ou filhos,
ou terras, por [amor] do meu nome, receberá cem vezes
tanto, e herdará a vida eterna."
( Mateus 19.29)
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Domingo, 23 de Junho de 2002
Estou muito feliz com os verdadeiros amigos me ajudando
e dando força,carinho e confiança nessa época difícil. Todos
sabem o quanto sou recluso,mas ainda assim me procuram pra
me tirar do marasmo. O conhecimento de como as coisas se
processam ‘do outro lado’ ajuda bastante a encarar as dificuldades
com resignação para,quem sabe,virar o jogo no futuro. Ninguém
é inocente,ninguém é vítima. Somos todos algozes em eterno
aprendizado. Eu aprendi muito nesses meses,e ainda tenho
muito que aprender.
A primeira lição que ficou marcada a ferro e fogo foi o
desapego das coisas materiais e sentimentais. Nada é permanente.
Temos que aprender a conviver com mudanças. Nem sequer nossa
vida nos pertence.
Agora... achava que o amor desafiaria essa lógica budista.
Se fosse verdadeiro,o amor sobreviveria a tudo. Mas transmuta-se,
como tudo nesse mundo. É preciso que o espírito compreenda
o amor em toda a sua extensão, para que apreenda a sua essência,
seja como o amor de uma mãe, amor de filho, de marido,ou
de verdadeiros amigos...
A essência das coisas não muda, pois é Divina, como bem
antevia Platão. Portanto,faça o que fizer,pense na essência.
Lute para o que você estiver fazendo sobreviva ao tempo,pois
só a essência dos atos permanece.
O amor é energia sutil,mas poderosa. Precisa ser trabalhada,lapidada,como
uma pedra preciosa, ou pode vir a converter-se facilmente
em ódio. O amor constrói,o ódio destrói. Por isso a
dualidade do Deus Brahma,o criador,e sua representação
em Shiva, o destruidor / transformador. São polaridades
da mesma energia mental. Assim como no Zoroatrismo,
hoje estamos em eterna luta com nossas metades,a ‘boa’
e a ‘má’,até um dia percebermos que não existe bem ou
mal,e sim ação. Veja que eu omiti propositalmente o
popular ‘reação’,pois esta já está contida na ação.
É regra geral no universo que o que se faz tem retorno.
É a colheita de que nos falou Jesus.
Por falar no Mestre, estou andando pra baixo e pra cima
com o livro Jesus e Buda - Diálogos, de Carrin Dunne.
As páginas finais são uma coletânea de ensinamentos
de ambos,que se interpenetram em sua sabedoria,que precedia
o seu tempo,e até mesmo ao nosso, onde não estamos intimamente
preparados para a revelação total. Eu leio e releio
esses ensinamentos,que são como bálsamo refrescante
para minha alma.
__________________
Quinta-feira, Junho 20, 2002
Comentários do Ribamar:
<Eu_amo_Ana_Paula_Padrao> o melhor
foi eles terem levado seus desenhos :P
<Eu_amo_Ana_Paula_Padrao> com certeza foi o "bom"
que levou pras crianças
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<Eu> Dia 19 de julho não saio de casa!
<Ribamar> é bom mesmo
<Eu> vai ter q cair um avião pra me matar
<Ribamar> a nao ser que mores em um morro e esteja
chovendo muito
<Eu> ........
__________________
<|Rapt0R|> tu ainda és webmaster da starpage? hehe
<Eu> naum :P
<|Rapt0R|> daqui a alguns milênios vão achar o fóssil
da starpage e estudarão essa nossa civilização tão exótica
<Eu_amo_Ana_Paula_Padrao> e a reproduzirão numa ilha
a poucos quilômetros de Porto Rico
__________________
Que jeito melhor de inaugurar um blog do que com
uma história verídica e emocionante?
(Definitivamente o dia 19 não é muito bom pra mim)
Ontem estava eu voltando do trabalho,como sempre faço,e
parei meu carro para entrar em casa. Eram 7:00 da noite,
e, vindo não sei de onde, eis que surge um Gol prateado
por trás de mim,me fechando.
Ficou bem claro pra mim que seria um assalto, então
pensei: relaxe e goze.
Levantei as mãos e fiquei parado, pensando em todas
as possibilidades de fuga espetaculares que eu teria
se tivesse tendências suicidas. Vieram três elementos
armados com um 38 cada,e muito bem vestidos. Um outro
ficou no carro.
O que me abordou era bem gentil,falava baixo alguma
coisa que eu não ouvi pois,apesar da calma aparente,minha
mente simplesmente resolveu se evadir da cena do crime!
Depois pediu pra abrir a porta,ao que eu tentei ser
o mais solícito possível. Tentava a maçaneta,mas o carro
só abre quando desliga. Eu forçava a fechadura,quando
um pensamento aflorou à minha cabeça: "é assim
que se morre em assaltos a carro". Se eles fossem
mais impacientes,teriam matado mesmo (mas acho que eles
não queriam sujar o carro). Lembrei então de desligar
o carro,mas,quando tirei o pé da embreagem,o carro pulou
pra trás. Foi a segunda vez que eu pensei: "morrí".
Mas não é desta vez que eu aparecerei na Folha de Pernambuco!
Por sorte eles eram muito profissionais, e em nenhum
momento apontaram a arma para mim. Afinal,nem precisava.
Ela estava lá, bem a mão, o tempo todo.
Eu desci do carro e fizeram uma limpeza geral em mim.
Tiraram até as cáries! Enquanto isso encenavam a peça
do "bandido bom e bandido mau",que nem nos filmes,com
a diferença que nos filmes quem faz isso são os policiais:
- Fica calmo - dizia o "bom"
- Eu tô calmo - respondi
- Fica quieto aí - bradava o "mau"
- Não olha pra gente - dizia,em nova rodada,o "bom"
- Eu fechei os olhos - repliquei
- Fechou nada! - arguia o "mau",tirando com força os
meus óculos. (E eu ia discutir?)
Aí disseram pra eu ir embora e eu fui,andando com as
mãos para cima. (e imaginando um tiro nas costas)
Mandaram então eu correr,e eu corri (imaginando muitos
tiros nas costas)
Me senti como uma lebre que corre das raposas,e ficava
ziguezagueando,torcendo pra eles terem pontaria ruim.
A esquina mais próxima ficava a 200 m,então corrí bastante
por dentro da lama,quando ouço os carros ligarem e saírem
a toda. Pelo barulho,parecia que vinham na minha direção,aí
pensei: "vão me atropelar,ou vão praticar tiro ao alvo."
Descobrí então que podia correr mais rápido ainda (que
beleza!) e via minha esquina salvadora chegando.
Fiz a curva sem reduzir,na grama molhada. O meu corpo
se virou,mas minhas pernas passaram direto em frente
e eu caí estatalado na lama, que nem uma jaca. Foi tão
ridículo que eu mesmo rí na hora!
Esperei os carros passarem,mas felizmente eles foram
pelo outro lado.
Eu devo ter entrado em estado de choque desde o começo,pois
em nenhum momento sentí pavor,arrepio,nem mesmo a adrenalina
jorrar. Nem na corrida dentro da lama.
(o choque passou, pois meu avô acabou de fechar a janela
com um estampido seco que parecia um tiro, e eu estou
me tremendo até agora)
Enfim,recuperaram o carro 1:30 depois. Como eu sou
pão-duro,estava andando com o carro quase na reserva,esperando
que por milagre a gasolina baixasse novamente. Acho
que os ladrões não gostaram disso, nem das portas enguiçadas,nem
da falta de ar condicionado, pois, ao verem uns agentes
da polícia, abandonaram o carro e correram para o mato.
Mas parece que eles gostaram do meu gosto musical,pois,além
do CD-Player,levaram todos os meus CDs e o meu tocador
de MP3 (que era a única coisa material irrecuperável,pois
só vende nos EUA e foi uma amiga que trouxe pra mim)
Apreciaram também minha veia artística,pois levaram
meu caderno e meus trabalhos de Desenho artístico (que,modéstia
a parte, estavam lindos mesmo) e também um óculos escuro
RayBan (nem sei porque, se estava de noite!) E o meu
velho e bom casaco com o emblema do arquivo X, outra
perda lastimável.........
Parabéns para os agentes de polícia de Engenho Maranguape
pela atuação preventiva (não fossem eles,não teriam
abandonado o carro...acho).
Espero que meus professores sejam tolerantes com os
trabalhos que perdi...
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