Domingo, Novembro 30, 2003
"Até o ponto que podemos compreender, o único propósito da existência humana é acender a luz do SENTIDO na escuridão do mero SER."
Funções psíquicas
Há
quatro funções psicológicas fundamentais para se analisar o ser humano:
pensamento (pessoas assim são grandes planejadoras e tendem a se agarrar a seus planos e teorias, ainda que sejam confrontados com contraditória evidência),
sentimento (Preferem emoções fortes e intensas - ainda que negativas - a experiências apáticas e mornas. Faz seu julgamento com base em seus próprios valores, como por exemplo, se é bom ou mau, se é certo ou errado, agradável ou desagradável),
sensação (O enfoque está na experiência direta, e tem sempre prioridade sobre a discussão ou a análise da experiência. Tem a ver com o que a pessoa pode ver, tocar, cheirar. Os sensitivos trabalham melhor com instrumentos, aparelhos, veículos e utensílios do que qualquer um dos outros tipos) e
intuição (O homem intuitivo vai além dos fatos, sentimentos e idéias, em busca da essência da realidade. As implicações da experiência - o que poderia acontecer, o que é possível - são mais importantes para os intuitivos do que a experiência real por si mesma. Dão significados às suas percepções com tamanha rapidez que, via de regra, não conseguem separar suas interpretações conscientes dos dados sensoriais brutos obtidos).
As duas primeiras são funções racionais (fazem uso da razão, do juizo, da abstração e da generalização) e as duas últimas são irracionais (por serem baseadas na percepção do concreto, do particular e do acidental). O pensamento é ideacional e intelectual. O sentimento mede o valor das coisas para o sujeito. A sensação é a percepção da realidade, traz fatos concretos ou representações do mundo. A intuição é a percepção por meio de processos inconscientes e conteúdos subliminares.
Embora todo mundo tenha as quatro funções, elas não são desenvolvidas em sua totalidade. Geralmente uma delas é predominante na consciência, e é chamada de
função superior, e uma entre as três restantes pode agir como auxiliar da função superior. Em caso de "pane" da principal, entra automaticamente em cena a outra. A menos usada das quatro é chamada de
função inferior,e fica reprimida, relegada ao mais profundo do inconsciente.

Se todas as funções pudessem ser igualmente fortes no consciente e harmonizadas (como se dispostas na borda de um círculo) o centro desse
círculo seria o self realizado plenamente. É o núcleo, mas também é toda a esfera. O problema é que nem sempre acessamos este núcleo. Mas não fiquem pensando que é um ponto localizável na alma humana, algo que possa ser acessado tipo "ah, eu estou falando com o self" porque ele é um conjunto que define o ser humano como um TODO, e o ser humano TAMBÉM é sua coletividade e seu meio (inconsciente coletivo). A abordagem do self vem de encontro à filosofia Zen, quando diz:
"Se o Zen Budismo considerasse importante expressar-se aqui apoiado no uso da terminologia, poderia fazê-lo do seguinte modo: o centro do ser situa-se além da multiplicidade, da identidade-diversidade e, no entanto, não se situa além delas. E, como situar-se além e não-além disto é igualmente uma contradição, acrescentar-se-ia como explicação: o centro do ser não é um nem outro, nem ambos, e absolutamente não pode ser descrito por meio do pensamento. Quem desejar saber o que ele é, deve percorrer o Caminho Zen."
(O caminho Zen, de Eugen Herrigel)
Nicolau de Cusa, monge filósofo do século XV, já usara imagem semelhante ao referir-se à onisciência divina:
"Deus é uma esfera cujo centro está em toda parte e cuja circunferência não se delimita em parte alguma".
Self
O self é o objetivo da vida. Um alvo pelo qual as pessoas sempre lutam, mas raramente atingem. Os arquétipos dessa realização são Jesus e Buda (meus heróis, meus heróis!). O self pode ser definido como um fator de orientação intima. Jung o compara ao
daemon, ou gênio, que hoje chamamos de guia espiritual ou anjo da guarda, seja ele interior ou exterior a você. O self é o ponto central da personalidade, em torno do qual giram todos os outros sistemas. Ele sustenta a união desses sistemas, e fornece unidade, equilíbrio e estabilidade à personalidade. Antes de o self emergir, é necessário os vários componentes da personalidade se desenvolvam plenamente. Por essa razão, o arquétipo do self não se torna evidente até que o indivíduo tenha atingido a idade madura. Nessa época, ele procura deslocar-se do ego consciente para um ponto a meio caminho entre o consciente e o inconsciente. Manter-se nessa região intermediária constitui-se no domínio do self. Qualquer semelhança com o caminho do meio, de Buda, não é coincidência.
"Não posso lhe dizer como é um homem que goza de uma completa auto-realização, nunca vi nenhum... Antes de buscar a perfeição, devemos viver o homem comum, sem mutilação"
Introversão e extroversão
Jung descobriu que cada indivíduo pode ser caracterizado como sendo primeiramente orientado para seu interior ou para o exterior, sendo que a energia dos introvertidos se dirige em direção a seu mundo interno, enquanto a energia do extrovertido é mais focalizada no mundo externo. Entretanto, ninguém é totalmente introvertido ou extrovertido. Algumas vezes a introversão é mais apropriada, em outras ocasiões a extroversão é mais adequada, mas, as duas atitudes se excluem mutuamente, de forma que não se pode manter ambas ao mesmo tempo. Jung também enfatiza que nenhuma das duas é melhor que a outra, citando que o mundo precisa dos dois tipos de pessoas. Darwin, por exemplo, era predominantemente extrovertido, enquanto Kant era introvertido por excelência. O ideal para o ser humano é ser flexível, capaz de adotar qualquer dessas atitudes quando for apropriado, operar em equilíbrio entre essas duas qualidades.
"O pêndulo da mente se alterna entre perceber e não-perceber, e não entre certo e errado."

Enviado às 2:00 AM
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Sábado, Novembro 29, 2003
ROTEIRO DA TRILOGIA
Uma leitora do
Cinema em cena notou que no primeiro Matrix mostra, antes do interrogatório de Thomas Anderson, um monte de monitores, idênticos aos do Arquiteto. A câmera "entra" pela tela, exatamente do mesmo modo, nos dois filmes.
No fórum Matrix Fans, dos EUA, alguém fez um imenso exercício de imaginação pra explicar os 3 filmes dentro de um lógica, procurando tapar os buracos (que não são poucos) no roteiro. Tem muitas idéias boas, mas ficou meio forçado. Acho que nem os irmãos Wachowski conseguiriam explicar a história por trás da história. De qualquer forma, vale a
lida.
Minha opinião é a de que os diretores (que tinham a idéia do filme ser uma trilogia desde o começo) só se esmeraram no desenvolvimento do primeiro filme (que é magnífico) deixando o roteiro dos outros 2 no esboço, o que culminou numa das mais frustrantes experiências cinematográficas dos últimos anos (a pior foi mesmo Episódio I, esse ninguém supera!), mas que acabou provando ser uma divertida experiência pós-filme, pois, assim como um RPG, está rendendo um grande aprendizado de mitologia, filosofia e psicologia. Não me levem a mal: a idéia do roteiro é fantástica, mas foi MUITO mal desenvolvida para que pudesse ser absorvida pela maioria dos fãs, e a impressão que fica é exatamente a veiculada na
Folha Ilustrada.
Enviado às 10:05 PM
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"Fé e crenças que não se transformam em ação não têm significado algum. Se você pensa que algo é bom, então o faça! As mudanças acontecem da mesma maneira. Se você meramente pensa ou sente algo, isto não é suficiente. Se você não reflete estes pensamentos em suas vidas, isto não significa nada. Mas é quando suas ações tomam vida dentro de você que um pensamento torna-se realmente poderoso. Nosso caminho de vida é assegurar corpo e mente como uma entidade única, e se pensarmos sobre algo, nós agiremos sobre isso também."
(Doshin So, Mestre Shaolin)
Enviado às 2:14 AM
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Sexta-feira, Novembro 28, 2003
Começa aqui uma série de 3 post sobre Carl Gustav Jung, cuja terminologia e conceitos apresentados serão importantes para a compreensão dos futuros posts.
"A forma do mundo em que o homem nasceu já está dentro dele como imagem virtual"
(Carl Jung)
Jung era um jovem psiquiatra de Zurique na época em que conheceu e ficou fascinado por Freud, no começo do século passado. A admiração mútua durou pouco mais de uma década, tendo os dois rompido relações por incompatibilidades pessoais e intelectuais, principalmente pela rejeição de Jung ao
pansexualismo de Freud. Para Jung, o comportamento humano é condicionado não somente pela sua história individual e racial (causalidade),mas também pelos seus alvos e aspirações (teologia). O passado como realidade,e o futuro como aspiração/potencialidade, dirigem o comportamento presente.
"O indivíduo vive para os alvos,assim como pelas causas"
(Carl Jung)
Ego ou mente consciente
É o responsável por nossos sentimentos de identidade e continuidade e, do ponto de vista da própria pessoa, é encarado como sendo o centro da personalidade. O budismo procura justamente aniquilar o ego, essa falsa percepção de identidade. O ego não foi produzido pela natureza para seguir ilimitadamente os seus próprios impulsos arbitrários, e sim para ajudar a realizar, verdadeiramente, a totalidade da
psique. Se, por exemplo, possuo algum dom artístico de que meu ego não está consciente, este talento não se desenvolve e é como se fora
inexistente. O ego é o
boi da parábola Zen, é a tração. Mas não confunda: o boi não guia, é guiado pelo
cocheiro, mas na maioria das vezes deixamos o boi tomar o rumo que quer.
Inconsciente individual
Onde ficam as experiências que foram reprimidas, suprimidas, esquecidas ou ignoradas, e também experiências muito fracas para marcar a consciência do individuo. É aí que se encaixam os
complexos, que são grupos organizados de sentimentos, percepções e memórias, que ficam no inconsciente, mas atuando de forma determinante no consciente, podendo atuar até mesmo como uma personalidade autônoma, usando a psique para seus próprios fins.
Inconsciente coletivo

É o alicerce de toda a estrutura da personalidade. Sobre ele estão erigidos o ego, o inconsciente individual e todas as outras aquisições individuais. Jung vê a personalidade como um produto do passado ancestral, sendo o homem moderno concebido e moldado pelas
experiências acumuladas de gerações passadas, recuando até as origens obscuras e desconhecidas da humanidade. Segundo ele, o homem nasceu com muitas predisposições (legado de seus ancestrais) que dirigem sua conduta e determinam, em parte, aquilo de que ele tomará consciência e a que responderá em seu próprio mundo de experiências. Ou seja, uma personalidade coletiva, que atua seletivamente no mundo da experiência e é modificada e elaborada pelas experiências que recebe (assim como o conceito de
egrégora, só que no caso de Jung, mais determinante, e menos intuitiva). Uma personalidade individual, nesse caso, seria o resultado da interação de forças internas e externas. Mas ele deixa espaço para a individualidade, pois se assim não fosse, não haveria lugar para a variação e o desenvolvimento. O inconsciente coletivo, na verdade, é uma abordagem mais científica para a reencarnação (tema carregado de profundo significado religioso e Tabu até hoje para os cientistas) que Jung conhecia bem, mas preferiu deixar de fora de suas conclusões. Ele narrava que, nas suas viagens pela Europa, antes de chegar a determinado lugar, tinha a impressão nítida de que antes houvera estado ali. Conhecia detalhes, hábitos, cultura, e, ao chegar, para sua surpresa, verificava que aquela percepção era verdadeira. Naturalmente, sua abordagem foi psicanalítica.

Enviado às 12:54 AM
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Quinta-feira, Novembro 27, 2003
Cientistas investigam faquir que não come há décadas
Médicos e especialistas estão perplexos com um eremita indiano que alega não comer ou beber nada há muitas décadas, mas ainda assim tem uma saúde perfeita.
Clique aqui para ler a matéria completa da BBC
Enviado às 11:27 PM
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MORTE
"Nós estamos acostumados a ligar a palavra morte apenas à ausência de vida e isso é um erro. Existem outros tipos de morte e nós precisamos morrer todo dia. A morte nada mais é do que uma passagem, uma transformação. Não existe planta sem a morte da semente, não existe embrião sem a morte do óvulo e do esperma, não existe borboleta sem a morte da lagarta, isso é óbvio! A morte nada mais é do que o ponto de partida para o início de algo novo. É a fronteira entre o passado o futuro.
Se você quer ser um bom universitário, mate dentro de você o secundarista aéreo que acha que ainda tem muito tempo pela frente.
Quer ser um bom profissional? Então mate dentro de você o universitário descomprometido que acha que a vida se resume a estudar só o suficiente para fazer as provas.
Quer ter um bom relacionamento então mate dentro de você o jovem inseguro ou ciumento ou o solteiro solto que pensa poder fazer planos sozinhos, sem ter que dividir espaços, projetos e tempo com mais ninguém.
Enfim, todo processo de evolução exige que matemos o nosso "eu" passado, inferior. E, qual o risco de não agirmos assim? O risco está em tentarmos ser duas pessoas ao mesmo tempo, perdendo o nosso foco, comprometendo nossa produtividade e, por fim, prejudicando nosso sucesso.
Muitas pessoas não evoluem porque ficam se agarrando ao que eram, não se projetam para o que serão ou desejam ser. Elas querem a nova etapa, sem abrir mão da forma como pensavam ou como agiam. Acabam se transformando em projetos inacabados, híbridos, adultos "infantilizados". Podemos até agir, às vezes, como meninos, de tal forma que não matemos virtudes de criança que também são necessárias a nós, adultos, como: brincadeira, sorriso fácil, vitalidade, criatividade etc.
Então, o que você precisa matar em si ainda hoje para que nasça o ser que você tanto deseja ser?
Pense nisso e morra!
Mas, não esqueça de nascer melhor ainda!"
(Paulo Angelim; arquiteto, pós-graduado em Marketing)
Enviado às 1:46 AM
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Quarta-feira, Novembro 26, 2003
LIBERTAÇÃO
Para a sabedoria divina, tão infortunado é o pastor que perdeu o seu rebanho, quanto a ovelha que perdeu o pastor. A desistência de ajudar é tão escura quanto o relaxamento de extraviar-se.
O egoísmo conseguirá criar um oásis, mas nunca edificará um continente.
Ajuda, antes de procurares auxílio.
Compreende, sem exigir compreensão imediata.
Desculpa os outros, sem desculpar a ti mesmo.
Ampara, sem a intenção de ser amparado.
Dá, sem o propósito de receber.
Não persigas o respeito humano que te faça aparecer melhor do que és, mas busca, em todo o tempo e lugar, a bênção divina na aprovação da própria consciência.
Desconfie das palavras que te lisonjeiem a fantasiosa superioridade pessoal ou que te inclinem à dureza de coração.
Ao duvidar de Deus, se pergunte:
Já auxiliastes os companheiros de caminho evolutivo com a intensidade e a eficiência com que pretendeis ser ajudado?
Que boas obras já efetuastes a fim de rogardes novos recursos do Céu?
Acreditais, porventura, que o lavrador recolherá sem plantar?
Ninguém se aquecerá ao Sol Divino sem antes abrir o próprio coração às correntes da Luz Eterna.
Não acredites que um golpe possa desaparecer com outro golpe. Não se cura a ferida, aprofundando o sulco da carne em sangue. A cicatriz abençoada surge sempre à custa de enfermagem, remédio ou retificação, com ascendentes de amor.
(
Libertação, por André Luiz / Chico Xavier)
Enviado às 7:50 PM
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Terça-feira, Novembro 25, 2003
A MOLA
Irei diminuir as notícias envolvendo espíritos nesse blog. Se a espiritualidade quisesse mesmo provar que existe, o teriam feito com muito mais competência na pessoa de Chico Xavier. Certa feita ele foi convidado por cientistas Russos a morar lá, com tudo pago, onde seria estudado meticulosamente. Os Russos são ateus e rigorosíssimos em suas investigações, sem ter o rabo preso com
ninguém. Uma comprovação dessas seria a glória do espiritismo científico! Mas Emmanuel (mentor espiritual dele) foi categórico: "Você pode ir, Chico. Eu não vou."
Chico cumpriu seu papel de divulgador do espiritismo para aqueles que realmente se interessaram, os que fariam qualquer coisa (até mesmo vencer suas próprias inclinações negativas) por amor a alguém, seja um parente, ou uma esposa... Centenas, talvez milhares, abraçam os ideais cristãos ao terem a SUA confirmação pessoal da vida pós morte, através da carta manuscrita de um filho, ou da visita de um parente desencarnado (e não através de uma confirmação fria, científica e impessoal). A carga emocional contida em tais "revelações" é a mola propulsora para um conhecimento mais profundo dos ensinamentos de Jesus, que propicia uma reforma interior que talvez não fosse conseguida de outro modo. É a mesma coisa das Igrejas que conquistam fiéis através das "graças obtidas". É a mesma espiritualidade que está operando nos bastidores, como um pai que diz ao filho: "eu lhe dei um carro. Agora passe no vestibular". Foi a mesma ferramenta que Jesus usou nos milagres e nos ensinamentos: "Eis que já estás são; näo peques mais, para que não te suceda alguma coisa pior." (João 5:14) e "Nem eu também te condeno; vai-te, e não peques mais." (João 8:11)
Funciona? Funciona. O ideal seria que a humanidade prescindisse desse toma-cá-dá-lá mas sabemos muito bem que não é assim que as coisas funcionam. Até mesmo o budismo tem a sua oferta: "Quer libertar-se do sofrimento? Elimine o desejo. Seja verdadeiro consigo e com os outros, mantenha pensamentos corretos, etc." Isso é o mesmo que Jesus disse (e Buda disse ANTES), com outras palavras. É muito raro não precisar de uma mola propulsora.
O espiritismo (e toda a estrutura montada ao redor dele) é "apenas" um veículo para fazer as pessoas praticarem o que Jesus nos aconselhou a fazer há mais de 2.000 anos atrás (o que já é uma tarefa Hérculea e digna de toda a minha admiração). A partir do momento em que o espiritismo virasse apenas uma ciência, a parte filosófica e doutrinária iria ser obscurecida e veríamos uma banalização no contato com os mortos ("Compre aqui uma filmadora com
Ghost Shot, que capta fantasmas!" ou "Não seja vista nua no banheiro por espíritos safados: Compre já sua gaiola Faraday para banheiros!") e não haveria motivo algum para as pessoas lerem
O evangelho segundo os espíritos (assim como a imensa maioria das pessoas que não lêem a Bíblia), ou deixariam de procurar saber mais sobre esse mundo através dos
romances espíritas, que são cheios de lições morais (causa e efeito, caridade, humildade) inseridas propositalmente nas falas dos personagens, para que a pessoa as assimile enquanto lê (ou você acha que uma pessoa fala normalmente pra outra em metáforas como "Não olvideis que o mérito não é patrimônio comum, embora seja a glória do cume, a desafiar todos os caminheiros da vida para a suprema elevação" só porque morreu?), e não há a mínima obrigação da pessoa entrar na doutrina espírita (ela não é intrusiva, e não há "conversão"). É um veículo para algo muito mais nobre do que falar com mortos. Assim como este blog, que usa Matrix e outras coisas do cotidiano pra mostrar (e não impor) valores espirituais das mais diversas correntes de pensamento da humanidade a pessoas que normalmente nunca teriam contato com esse mundo (E TEM GENTE QUE NÃO PERCEBE e acha que é alguma nova religião baseada em Matrix, e que eu pretendo ser algum Neo com aspirações de libertar a humanidade que é controlada pelas MÁQUINAS(?)!!!!) Argh...
Se serei condenado por isso? Claro. Os espíritas não vão achar o blog doutrinário (e nem será), os crentes me detestarão porque falo de e com espíritos (demônios, na visão deles), os budistas não gostarão porque ainda considero o ego uma mola propulsora, e os Kaslusianos reclamam porque não botei o nome de Kaslu na citação do "patrulheiro espacial". Não estou aqui pra agradar A ou B, estou sim expondo o que aprendi (na teoria e na prática) e pretendendo aprender ainda mais com a colaboração dos leitores. Se não acham o conteúdo interessante, simplesmente NÃO ENTREM. Não ganho um tostão com as visitas das pessoas e vivia muito bem (e escrevendo todo dia) quando tinha apenas 15 visitantes diários. Não impeço (e até estimulo) as pessoas a externarem opiniões diferentes, desde que o façam com respeito e educação (coisinhas básicas que dizem MUITO sobre as pessoas). Não vou entrar em picuinhas nem em bate-bocas infantis que não levarão ninguém a lugar algum (se o cara diz que vai virar poeira cósmica ao morrer, só posso desejar boa sorte, embora meu conhecimento (que não tem base científica, mas sim histórica e empírica) diga o contrário!)
Todo mal, ainda que perdure milênios, é transitório. Achamo-nos apenas em luta pela vitória imortal de Deus,contra a inferioridade do "eu" em nossas vidas. Toda expressão de ignorância é fictícia. Somente a sabedoria é eterna.
(Obreiros da Vida Eterna, por André Luiz / Chico Xavier)
Enviado às 11:54 PM
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Estimulado por uma conversa com minha mãe hoje no café da manhã, ia contar um bocado de historinhas de espíritos que aconteceram na família, e ia aproveitar pra contar quem é Oráculo. Mas não é que, enquanto escrevia, o danado do Windows XP travou (congelou) pela primeira vez na vida?! Nem Ctrl+Alt+Del respondia! Resolvi então transcrever o texto pro papel, pra poder resetar a máquina e reescrever, mas enquanto escrevia veio um pensamento forte NÃO PUBLIQUE. Ok, ok.... não está mais aqui quem escreveu.
Enviado às 8:11 PM
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Segunda-feira, Novembro 24, 2003
PRO SENHOR DA GUERRA:
Um velho índio descreveu certa vez em seus conflitos internos:
"Dentro de mim existem dois cachorros, um deles é cruel e mau, o outro e muito bom e dócil. Os dois estão sempre brigando..."
Quando então lhe perguntaram qual dos cachorros ganharia a briga, o sábio índio parou, refletir e respondeu:
"Aquele que eu alimentar".
Reflita
Enviado às 5:16 PM
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DIVAGAÇÕES SOBRE REVOLUTIONS
Os humanos na verdade são máquinas?
A
Teoria Galvatron é bastante interessante, mas falha quando diz que o EPM (pulso eletromagnético) afeta os habitantes de Zion. Fosse assim, Neo e Trinity teriam morrido logo no fim do primeiro filme, quando soltaram um EPM com o casco da Nabucodonossor aberto.
O que eu acho é que, assim como o código de Neo entrou no corpo de Smith, também há um pouco de Smith no Neo. E talvez por isso ele tenha tido o poder de sentir e destruir as máquinas, simulando um Pulso Eletromagnético (gerado pela energia do próprio corpo) que atingiu não só as máquinas como a ele mesmo (se ele fosse totalmente máquina, teria morrido, mas só entrou em coma). Outra dica disso é que, quando ele expandiu a consciência (ao ficar cego) ele só via máquinas (e por isso ele via Smith com óculos, mas não via Trinity)
Zion é uma Matrix?
Se Zion fosse uma Matrix, por que tanto trabalho das máquinas pra descobrir o local de Zion e depois pra entrar? Eles deveriam ter algum controle sobre a aniquilação daquele lugar, já que fazem isso com certa regularidade. Tanto trabalho pra conseguir cumprir uma tarefa seria ilógico, e as máquinas não são ilógicas.
Por outro lado, temos o seguinte diálogo com o Arquiteto:
Arquiteto diz "Como eu dizia, ela se deparou por acaso com uma solução por meio da qual quase 99,9% de todas as cobaias aceitavam o programa, contanto que lhes fosse dada uma escolha, mesmo que só estivessem cientes dela em um nível quase inconsciente. Embora esta resposta funcionasse, ela era óbvia e fundamentalmente defeituosa, criando, assim, a anomalia sistêmica contraditória, a qual, sem vigilância, poderia ameaçar o próprio sistema. Por conseguinte, aqueles que recusavam o programa, ainda que uma minoria, se não vigiados, constituiriam uma probabilidade crescente de catástrofe". E Neo responde "Isso tem a ver com Zion".
Zion? Em momento algum do diálogo o Arquiteto diz que essa minoria de humanos que não aceita a Matrix se tornou independente ou se desplugou do sistema! Apenas confirma que eles foram para Zion! Os humanos de Zion e da rebelião não estão libertos? Entao eles continuam sendo enganados, incluindo Neo? Por que não?
Vejam a
história completa do game de Matrix pra entender um pouco mais Matrix Revolutions.
Enviado às 2:00 AM
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Sábado, Novembro 22, 2003
THE FUTURE IS NOW
A via láctea está "devorando" a galáxia de Sagitário. Pois é...tudo o que nasce, deve morrer, mas, como nada se perde... Mas então, pra que essa galáxia existiu, se desenvolveu, cresceu? Apenas pra virar comida pra Via-láctea? Aposto que os cientistas saberiam dizer a importância dela no Cosmos (eu não saberia, mas isso não quer dizer que a galáxia seja uma inútil) durante sua vida. Isso serve pra nós. O que nos aguarda "do outro lado"? Será que isso existe? Nosso ego permanece ou vamos virar poeirinhas cósmicas? Se tudo é ilusão,então por que não ficamos de braços cruzados esperando a morte chegar (a morte não seria uma libertação?) ou atingir a iluminação no alto de um monte, isolado do mundo?
Se acreditamos que em tudo há harmonia, mesmo em meio ao aparente caos (pelo menos é o que os cientistas encontram,analisando o macro e o micro) então devemos crer que tudo tenha um sentido,uma função. Então o que você está fazendo aqui?? Eu não vou responder isso. Ninguém pode! Há uma coisa chamada livre arbítrio. Imagine que você foi contratado pelo McDonalds. Sua função é óbvia: fazer comida e agradar os clientes. Mas você tem (relativa) liberdade pra cuspir no sanduíche e olhar as pessoas comendo com gosto, ou pode botar pimenta nas batatas-fritas. Mas tudo tem um preço. Mais dia,menos dia, vc vai ser descoberto, e pode ser, além de demitido, processado. Por quem? Pelo McDonalds. Mas, o que é o McDonalds? A figura do gerente? Não...será controlado então pelo palhaço Ronald McDonalds? Não (apesar do presidente da Mc se vestir como ele de vez em quando). O presidente pode até mandar, mas a McDonalds é na verdade um bando de acionistas pelo mundo afora que, para todos os efeitos, não têm rosto. Eles nunca saberão que estão processando um funcionário de uma filial do Brasil, mas É o McDonalds,através de seus dispositivos (hierarquia e leis) que o está processando, em nome de uma harmonia. O exemplo foi bem rasteiro, mas um bom entendedor perceberá que, se você quiser ser ÚTIL, produtivo (mesmo que seja um serviço banal como preparar sanduíches) então primeiro seja humilde e procure harmonizar-se com as situações ao seu redor. Descubra o seu papel nisso tudo. Você pode ser um "patrulheiro espacial", se lutar para isso, ou pode ser um verme sanguessuga (que também tem sua importância no ecossistema). Não fique apenas de braços cruzados, conjecturando no futuro (pode ser até prazeroso, mas tudo em excesso é prejudicial), na metafísica, no reino das idéias: aja agora! Você está no lugar certo,na hora certa. Você apenas acha que sua vida está um inferno porque não pode ver TODO o filme,apenas um fotograma.
Um dia você vai ser "devorado". Mas todos nós vamos. Pra que a paranóia? Tudo o que nasce tem de morrer.
Enviado às 1:18 AM
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"As pessoas querem buscar o Superior, mas não querem erguer a mente na direção desse Superior. Querem buscar o avançado, mas não querem largar o atrasado. Querem buscar a luz, mas não largam as trevas em si mesmo."
(Um espírito amigo, através de Wagner Borges)
Enviado às 12:47 AM
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Quinta-feira, Novembro 13, 2003
O PASTOREIO DO BOI
A fábula do pastoreio do boi é uma sequência de imagens bastante representativa do Zen Budismo na China (Chen). Simboliza a busca e o controle do homem sobre seu ego / duplo / desejos (o boi).

Na primeira imagem vemos um jovem à procura de capturar um boi selvagem na floresta. Mas o jovem encontra-se perdido, pois ele é um boiadeiro sem boi, ou seja, é alguém que busca algo que não sabe se vai encontrar, ou se estará preparado para a tarefa de pegar o boi. Ele se sente inseguro, vazio, e vaga à esmo pela floresta. Depois de muito andar, ele encontra marcas no chão que indicam o caminho para o boi. O jovem então faz silêncio, aguça os sentidos e se harmoniza com o ambiente, para poder ouvir qualquer ruído que leve ao boi.
E então ele o vê ao longe, de relance, por entre as árvores. Quando corre até o boi, o perde de vista na densa floresta; Ele continua procurando, o vê novamente muito rapidamente, e o perde quanto mais se embrenha na floresta atrás dele. Até que ele consegue sair da floresta para o campo aberto e vê que o boi não se moveu do lugar onde estava pastando tranquilamente. O jovem é que, na ânsia de pegar o boi, acabou correndo sem rumo pela floresta.


Então ele joga uma corda para amarrar o boi, que obviamente não quer saber de ser preso. O jovem tenta controlá-lo, o boi escapa, ele volta a pegá-lo, e pra isso ele tem de se mostrar cada vez mais duro para com o boi, tendo de usar o chicote.

Ele consegue domá-lo. Obviamente o boi está aborrecido, ambos estão cansados da luta, e o boi deixa-se guiar pelo nariz, bufando, mas seguindo cada passo do rapaz, que não relaxa a corda nem por um minuto, mesmo estando extremamente cansado.

Os dias se passam, o boi fica menos arredio, mas o boiadeiro, desconfiado, ainda o mantém amarrado a uma árvore, primeiro com pouco espaço pra se mover, depois com mais corda, e por fim, sem corda alguma.


O boi já está dócil, segue seu dono, que vai à frente despreocupado. O jovem sente uma alegria indescritível. Ele se sente completo: Boiadeiro e boi reunidos. Ele domou o animal, ele venceu! Recuperou o que nunca tinha perdido, que é sua liberdade, e conquistou o que era seu por direito: Sua força, seu boi.


São tempos felizes que se seguem, mas, um belo dia o boiadeiro acorda e seu boi não está mais lá no pasto. Sua paz permanece inalterada, sua felicidade também, e o jovem reconhece que não precisava do boi para permanecer naquele estado. Ele era o que era, com boi ou sem boi. A corda e o chicote estavam jogados há muito num canto da casa. Não havia motivo para segurá-lo, e nem há agora, muito menos, pra recuperá-lo. O jovem vê que, assim como o boi era uma muleta, uma referência, um objetivo, ele mesmo o é.


Nesse ponto, já não há mais boi, boiadeiro, corda ou chicote; a dualidade e as ferramentas evolutivas foram embora; a mente está completamente clara e tudo o que resta é o NADA.
Mas mesmo o NADA é uma ilusão, e por isso deve cessar. Então, o jovem permanece com a mente inamovível, vendo que as águas são azuis e as montanhas verdes, mas sem se identificar com elas; ("Olha, os riachos correm... pra onde, ninguém sabe. Olha as flores vivamente vermelhas... mas, para quem são elas?").

Na décima e última imagem o jovem regressa ao mercado (ao mundo) com um largo sorriso, livre de tudo, vendo VIDA em tudo (até nas árvores mortas) pondo todo o seu ser em tudo o que faz, porque não pretende com isso obter nenhum benefício.
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Não fiquem fascinados pelo final da história. Não dá pra abandonar de vez o homem e o boi enquanto um ainda está montado e dependente do outro. O que quero passar aqui é que VOCÊ NÃO É O BOI. O jovem ficou tão dependente de uma razão para justificar sua existência (boiadeiro) que precisou desesperadamente de um boi, uma força motriz que o impulsionasse, o completasse. Você não é seu corpo, sua personalidade, seus desejos, suas emoções. E ao mesmo tempo É, enquanto você se identificar com o boi, enquanto você PRECISAR dele (e todos nós que estamos aqui ainda precisamos do nosso corpo, de nossos sentidos, motivações e emoções). E, depois de SENTIR que não é o boi, vai ter de aprender a sentir que TAMBÉM não é o boiadeiro. Mas, uma coisa de cada vez.
Então, vamos seguir os passos da parábola:
1- Precisamos primeiro trazer o boi de volta para o dono, ou seja, mostrar que você não é guiado por seus desejos, seus sentidos, que pode resistir a um pedaço de pizza ou a um rostinho bonito, se essa NÃO for sua meta. Essa auto-superação foi bastante assimilada pelos orientais, que não deixam o sono, a impaciência, o medo ou mesmo a razão interferirem com suas metas. E por isso (porque não há o impossível pra quem quer) é que o Japão é o que é.
2- Não é o boi que está perdido, e sim o jovem que SE PERDEU quando foi na floresta buscar um boi que nem sabia que se existia. E, quando o encontrou, se completou (se perdeu pra se achar).
3- Não vá com muita sede ao pote quando começar a ver o boi, ou vai acabar se perdendo no primeiro caminho que você ver. Medite e concentre-se em primeiro saber ONDE EXATAMENTE o boi está e ache o MELHOR caminho pra você ir até ele.
4- A luta com o boi é o confronto com sua dualidade. Neo contra Smith. O boi é muito mais forte, mas você tem a corda e o chicote para conseguir seus objetivos, para domar suas inclinações contrárias, através das
limitações e da dor.
5- Uma vez que o boi esteja perfeitamente domado, você não vai precisar se preocupar com ele. Aí então poderá relaxar e esvaziar sua mente, e se preparar para entrar no estágio Búdico, que é a iluminação, a fusão com o seu oposto (LUZ, como na união de Neo e Smith). E, logo após, um retorno ao mundo (Matrix), que já não é o mesmo, embora seja o mesmo, mas desta vez com o boiadeiro (Neo) INTEGRADO a ele.
Há um ditado que diz que "não se pode botar os carros na frente dos bois". Isso é adaptado do conceito Budista do boi ser rústico, ignorante, mas FORTE,
ÚTIL ao trabalho do boiadeiro, uma força motriz, se bem direcionada. É entendendo melhor o símbolo do boi que entendemos AINDA melhor este ensinamento de Buda:
"Nós somos o que pensamos. Tudo o que somos emerge com os nossos pensamentos. Com os pensamentos fazemos o mundo. Se falares ou agires com um espírito impuro, os problemas seguir-te-ão, como a roda segue o boi que puxa a carroça. Se falares ou agires com um espírito puro, a felicidade seguir-te-á como a tua sombra, constantemente."
Referência: A parábola na versão comentada; A parábola no texto Chinês do Sec. XII
Enviado às 11:09 PM
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Quarta-feira, Novembro 12, 2003
LACONISMO NO ZEN-BUDISMO

Existe a tentação de considerar o zen-budista como pobre de sentimentos, senão absolutamente insensível. Não, decerto, por ele permanecer comovido, no mais profundo do seu ser. Tampouco se percebe essa impassibilidade no seu semblante, da mesma forma que a superfície do mar não revela a calma que existe em suas profundezas. Isso acontece pelo fato de o zen-budista se acautelar contra a exibição de seus sentimentos por não gostar de revelá-los com palavras.
Sob esse laconismo ocultam-se diversos motivos.
Em primeiro lugar, a recusa, conscientemente cultivada e depois tornada instintiva, contra o exagero desonesto. O zen-budista conhece, devido á sua carreira, o perigo ligado à expressão dos sentimentos: o de dizer mais do que se sente e, portanto, o de revelar menos quanto mais se falar. Por outro lado, ele tem o ouvido aguçado demais para que lhe possa escapar a facilidade com que nos livramos de sentimentos inoportunos, pelo fato de manifestá-los. Se dissermos a quem sofreu uma grande dor como nos solidarizamos com o seu sofrimento, ao sentirmos que essa pessoa se sente compreendida e confortada, então achamos, depressa demais, que pela mera manifestação de nosso sentimento já lhe fizemos justiça. Assim que essa pessoa sai do campo da nossa visão, deixamos de pensar nela, a não ser de vez em quando, e nos voltamos, impassíveis, para os nossos próprios afazeres: com isso, destruímos o sentimento característico da emoção e nos tornamos cada vez mais insensíveis. Porém, afinal - e aqui surge o motivo decisivo - o zen-budista está longe de restringir-se à alegria e à compaixão apenas para com os homens e para com aquilo que se liga à existência humana. Ele abrange, com esse sentimento, tudo o que vive e, portanto, também os animais e as plantas, sem excluir os mais insignificantes entre estes. Diante deles, a palavra permanece impotente.
Os sentimentos não sofrem nada por não serem chamados pelo nome. Ganham muito em intimidade e intensidade quando são sentidos pela pessoa sem serem expressos por palavras. O zen-budista realiza a comprovada experiência de que existe uma comunicação fundamental que encerra todas as formas de vida e, portanto, também o âmbito da vida humana, comunicação que, devido à sua imediatidade, renuncia - aliás, tem de renunciar - ao caminho das palavras, das comunicações e do intercâmbio verbal.
Extraído do livro O caminho Zen, de Eugen Herrigel
Enviado às 11:18 PM
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Terça-feira, Novembro 11, 2003
Bem, foi uma discussão válida para avaliar não só as minhas convicções, como as convicções de parte dos leitores. Mas eu deveria ter ouvido o grilo falante, que desde o começo disse pra não postar esse assunto agora. Well, eu paguei pra ver, e sim, ele acertou mesmo.
Já tinha notado que o blog segue um plano de estudos estabelecido não por mim, mas pelas circunstâncias (quem lê entenda) e na primeira vez que resolvi passar por cima da minha intuição deu nisso :P
Mas eu realmente adoro filosofar, divagar, então mantive os comentários, e os convido a continuarem a postar seus pontos de vista, sem tentar com isso catequizar ninguém.
Agora vou tratar de assuntos mais interessantes,como a alta do dólar, as gafes do Lula e os posíveis candidatos ao Big Brother Brasil 3!
Enviado às 1:03 PM
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MÚSICA DE MATRIX 3
Levy postou na Malkhut:
Quando Neo está lutando com Smith, no final do filme, a música é um shloka (sânscrito) do Bhagvad Gita. "Asath maa sath gamaya. Thamaso maa Jyothir gamaya. Mrithyor maa Amrtham gamaya. om shanti shanti shanti"
Significado: "A não verdade me conduz à verdade. As trevas me conduzem à luz. A morte me conduz à imortalidade. Paz Paz Paz"
Mais uma fantástica mensagem subliminar...
Enviado às 12:28 PM
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Segunda-feira, Novembro 10, 2003
MATRIX E JUNG
Segundo o pessoal da voadores, pra compreender o Matrix Revolutions será preciso estudar Carl Jung, Casamento Alquímico, Individualização, Dissolução do Ego, Anima (Trinity), Sombra (Smith), Integração; e o que de mais avançado e complexo há SIMULTANEAMENTE no simbolismo da Alquimia, Gnose & Jung. Confesso que não sei nada disso, mas cheguei às mesmas conclusões que eles por outras fontes (o que prova a teoria do bolsão de Egrégora, em que o pensamento coletivo vai se somando, agrupando informações em um "lugar", e quem estiver na mesma frequência, vai captar o resultante. Matrix 3 é o "lugar". O filme em si é uma "máscara", um roteiro sem pé nem cabeça, mas a mensagem subliminar que está começando a ser decifrada é que vai fazer com que a humanidade evolua, num nível insconsciente).
Vai se iniciar uma discussão em alto nível na lista
Malkhut. Vou ver se coloco algumas conclusões por aqui, como esta que explica a posição de Merovingian e Persephone no filme:
"Na mitologia, Persefone era a mulher de Hades, senhor dos infernos. Para chegar às suas terras era preciso atravessar o rio Aqueronte, em cujas margens se encontrava uma barca, dirigida por Caronte. Hades quis uma esposa, e para isso raptou Perséfone, que passou à condição de rainha dos infernos. Hades vem de
Aitho: queimar, transmutar-se pelo fogo".
Enviado às 6:04 PM
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QUEM É NEO?
Neo ,como bem colocou o jovem nerd, é um Jesus 2.0. Um humano, mas com o Cristo dentro de si. Cristo para nós é a ordem Divina, é Vishnu, o que mantém a ordem das coisas. No filme, Cristo é o código de
Deus Ex machina de alguma forma (provavelmente
genética) inserido num humano. Uma manipulação das máquinas para atingir os seus objetivos. Mas, por que Neo foi o escolhido? Porque Neo ESCOLHEU SER O ESCOLHIDO. Ele estava preparado para ser, tinha o dom, como Oráculo diz no primeiro filme. O poder de manipular a Matrix, o poder Criador, estava latente nele, como estava no menino que entorta a colher, e em Sati. Mas se ele não acreditasse em si mesmo, falharia, e ficaria pra outra pessoa ser o escolhido (Já houveram 5 antes dele). O segredo para SE TORNAR o escolhido é fazer as escolhas certas, acreditar no próprio potencial.
Aqui o diálogo de Neo com Oráculo, no primeiro filme:
- Acha que é o Escolhido?
- Sinceramente, não sei.
- Sabe o que isso diz? (apontando pra placa acima da porta) É latim. Diz: "Conhece a ti mesmo" Vou te contar um segredinho. Ser o Escolhido é como estar apaixonado. Ninguém pode te dizer se você está. Você simplesmente sabe, e não tem dúvida. Nenhuma.
- Desculpe, garoto. Você tem o dom, mas parece que você está esperando por algo.
- O quê?
- Sua próxima vida, talvez. Quem sabe? Essas coisas são assim.
Oráculo fazia parte do esquema. Estava alí para orientá-lo, pra que ele desenvolvesse o potencial. Pra isso, ela precisava ser "amiga" dos humanos. E ela era. Afinal, foi programada pra isso.
Neo pergunta a Oráculo, no Reloaded:
- Mas por que nos ajudar?
- Todos nós estamos aqui para fazer o que temos que fazer.
Mas ela tinha um plano, que era não só preparar o Escolhido para o objetivo das máquinas, como fazer com que ele tenha capacidade de salvar Zion. Ela via essa possibilidade, pois foi programada pra isso, entretanto o Arquiteto só via os resultados das equações que estavam em jogo (e não as
possibilidades). É por isso que no diálogo final do Revolutions o Arquiteto diz pra ela "Você arriscou muito". Por isso, no primeiro filme ela ensina o Livre-Arbítrio, o não-determinismo, que foi fundamental para que Neo ganhasse confiança de que PODIA mudar as coisas, quando encontrasse com o Arquiteto. Já no terceiro ela ensina o "deixe fluir", o "não lute" ("Deslize", como diz o pinguim em
Clube da Luta). É o tipo de coisa desconcertante pra quem, como eu, "comprou" a mensagem do primeiro e esperava mais do mesmo. Mas o destino de Neo era esse, não adiantava espernear. No momento em que ele está no Limbo, reina a confusão entre sua parte humana e a sua missão (parte máquina). O Ego diz "sobreviva" enquanto seu Dharma (sua missão de vida) aponta para a fusão com o Todo, a aniquilação da
personalidade Neo. O mais interessante é que um dia, muuuuuuuito longe ainda, todos nós iremos passar por esse dilema. É o mesmo que Jesus viveu no Getsêmane, quando sabia que tinha uma missão a cumprir, que dependia da entrega total da sua parte humana para ser assimilada pelo Pai, mas sua parte humana fraquejou. Por fim, Jesus diz: "Pai, se queres, passa de mim este cálice; todavia näo se faça a minha vontade, mas a tua" (Lucas 22:42). Neo após ficar a sós, em meditação, concorda em ir para a cidade das máquinas...
Mas Neo ainda usa o livre arbítrio em diversas situações que surpreendem as máquinas. Por isso Oráculo não podia saber se ele se tornaria mesmo o escolhido, nem se salvaria Zion. Neo escolheu usar a
necessidade que a máquina tinha dele como moeda de troca para alcançar a Paz.
Quando Smith pergunta a Neo por que ele continua lutando, ele responde: "Por que escolhi." É contraditório com a idéia "geral" que o filme passa de que não há livre arbítrio? Não. Ele escolheu ser o ESCOLHIDO. Ele escolheu salvar Zion. E arcou com as consequências. Isso está bem de acordo com os comentários que estamos postando no blog do
Humano Planetário. Em seu blog
Kaslu falou que somos todos brinquedos, manipulados; Então digo: "se somos brinquedos, vamos fazer nosso papel dignamente! Até mesmo brinquedos têm sua função e seu mérito"; Ao que Fernando responde: "A escolha de um brinquedo enquanto brinquedo é ser útil ou não. Portanto estamos novamente, Acid, diante de uma escolha... ou da tarefa de entender a escolha feita."
Aí então acontece o momento crucial do filme: Smith começa a falar como Oráculo. É a chave para que Neo perceba que Oráculo não deixou de ser ela só porque foi assimilada pelo Smith. Na verdade ela ACRESCENTOU ao Smith. Ele vê que a morte não existe, e que, como ele é a força
oposta ao Smith, somente se unindo a ele seria atingido o equilíbrio, o vazio (o balanço positivo = negativo). Então Neo deixa de ser reativo, para que seu
destino se cumpra.
Na página do Omelete tem alguns
comentários de leitores, que forneceram mais luz:
"A Matrix usa a fé e confiança, muitas vezes até inspiradas em misticismos, para direcionar as atitudes das pessoas. Isso poderia explicar porque Neo é sempre esperado nos lugares em que aparece. Ele já passou por lá várias vezes e a Matrix sabe que os novos escolhidos inevitavelmente passarão pelos mesmos caminhos. É por isso que Smith soube do local da praça (Burly Brawl), pois ele se lembrava de ter estado lá antes, como vemos no diálogo com sua cópia:
Smith 1: Tudo está acontecendo exatamente como antes...?
Smith 2: Não, não EXATAMENTE..."
Enviado às 2:51 AM
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Sexta-feira, Novembro 07, 2003
MATRIX REVOLUTIONS
This is the end
Beautiful friend
This is the end
My only friend, the end...
Of our elaborate plans, the end
Of everything that stands, the end
No safety or surprise, the end
I'll never look into your eyes...again
(The Doors)
Ao terminar o filme, me senti como que órfão. As perguntas do 2 ficaram ainda no ar, não havia respostas fáceis. Saí sem saber se tinha gostado ou não. Mergulhei num mutismo por 2 dias, até digerir algumas passagens do filme, ouvir outros comentários, tirar da mente os efeitos visuais e me concentrar no que quiseram passar com a história. Aliás, assim como no 2, a história peca pela falta de estrutura. As cenas são isoladas, fora de um contexto amplo, lembrando um RPG de videogame de 8-bit (vá até a Oráculo, pra pegar uma informação, depois vá até Merovingion, pra poder chegar até Neo, e depois...). Em compensação, as partes de ação em Zion são de arrasar. Possuem um objetivo, um propósito dentro do filme, fazem a platéia torcer junto com os personagens. Por falar nisso, os personagens principais estavam lacônicos, contidos, diria até maquinais. O mais humano era o Smith. Teria sido proposital?
Hoje de madrugada resolvi fuçar a internet atrás de comentários, e então entrei na "mágica" do filme. Sim, que outro filme geraria tantos e tão profundos comentários apaixonados pelo mundo? Cada pessoa coloca um pouco do seu conhecimento na tentativa de ajudar os outros a entenderem trechos do filme, e formam um grande mosaico, que É um
filme construído fora do filme.
Contribuirei analisando algumas cenas isoladas, sem pressa. Começarei com a cena do trem:
Na estação de trem onde Neo está preso vê-se em letras garrafais
MOBIL AVE. MOBIL é um
anagrama para
LIMBO, que fica nas bordas do inferno. AVE é abreviação de Avenue (Avenida). LIMBO, no dicionário, também é usado para expressar "esquecimento" e "incerteza, indecisão". Bem adequado, não?
Neo não consegue sair do lugar pois aquele pedaço da Matrix está em
looping, ou seja, no fim do programa há um comando que aponta para o começo.
O Train Man seria o equivalente a Caronte, o barqueiro que na mitologia grega levava as almas através do Rio Styx até ao reino do submundo de
Hades. Esta abordagem Grega tem mais a ver com a definição do espiritismo, que chama este local de
Umbral, que fica num plano vibracional entre o "mundo dos vivos" e o "mundo dos mortos" (A teosofia chama-o de
Plano Etérico). O fato é que, após o desencarne, a energia vital e o nosso
corpo etérico funcionam como uma âncora vibracional. É preciso que essa energia seja dispersada, e por isso os espíritos ficam por pelo menos 3 dias trafegando pelas frequências mais
densificadas, que as pessoas generalizam chamando tudo de "umbral". É uma Lei, que teve de ser cumprida até mesmo por Jesus, que
desceu ao Hades (e não ao "inferno" católico, que seria o
Geena no Grego, um lugar de punição) e retornou ao terceiro dia (Atos 2:27-31; Efésios 4:8)
Rama Kandra, o pai da menina, é quase o nome da 7ª representação (Avatar, alguém como Jesus) do Deus Vishnu (O Cristo, dos hindus), que encarnou como Rama Chandra. O nome da esposa do Rama do filme é Kamala, que é um dos nomes do Lótus (a flor, não o carro de F-1) em sânscrito. Assim como Rama é uma encarnação de Vishnu, Kamala é a de
Lakshmi, que é a personificação do lado Crístico feminino, a mulher perfeita; Vishnu e Lakshmi são inseparáveis. Quando Vishnu veio à Terra como Vamana, ela apareceu como sua esposa Kamala (também conhecida por Padma, outro nome pro Lótus. Isso me lembra Episódio I...).
Sati, a filha dos dois, na mitologia hindu é a esposa de
Rudra.
Rama é visto primeiramente no filme Matrix Reloaded, quando Neo, Morpheus e Trinity vão ver o Merovingian pela primeira vez. Rama aparece, e toca aquele sonzinho característico da Matrix. Graças ao jogo
Enter the Matrix ficamos sabendo que ele estava ali para vender o código de destruição da
Shell da Oráculo ao Merovingian.
No jogo, o personagem Ghost encontra a "nova" Oráculo, que esclarece:
Ghost: Pode me dizer o que aconteceu com você?
Oráculo: Dois programas em quem eu confiava venderam o código de destruição da minha shell original para o Merovingian.
Ghost: Por que eles fizeram isso?
Oráculo: Por amor. Pela vida da criancinha deles.
Ghost: Você sabia disso, e ainda deixou acontecer?
Oráculo: Eu tinha de deixar.
Ghost: Por que?
Oráculo: Porque a criança é importante. Não posso dizer porque, mas acredite, um dia a criança irá mudar tanto o nosso como o seu mundo para sempre.
Referência: Mais sobre o Hades
Enviado às 3:52 PM
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Quarta-feira, Novembro 05, 2003
TALES FROM THE CRYPT
Vamos brincar de contar histórias de fantasmas! Mas antes, vou fazer um alerta: pessoas sensíveis ou com problemas do coração não devem prosseguir na leitura! O que vão ler aqui é tão chocante quanto ver a transformação da Monga!

Glup!
Estão
avisados...
Quando eu tinha uns 15 anos, começaram a acontecer umas coisas estranhas comigo. Uma noite vi a maçaneta da porta do meu banheiro mexer sozinha... 2 vezes. Foi o suficiente pra eu pular do beliche de quase 2 metros de altura e sair correndo do
quarto. Outro dia eu estava num sono leve (já era umas 10 da manhã) e com o travesseiro na cara. Fui expulso da cama quando senti o travesseiro sendo pressionado contra a minha cara, com força. Por um segundo sufoquei. No outro eu estava correndo do quarto... Outra noite acordei abraçado com um quadro, que deveria estar na parede... Fui procurar Oráculo, sem dúvida. Não queria me transformar numa versão masculina do filme Exorcista :P
Oráculo me falou que eu era médium de efeitos físicos. Mais nada... algum tempo depois me deu uma cruz imantada por ela pra eu usar no pescoço. Eu detesto
amuletos, ou coisas no pescoço, mas ela me obrigou. Talvez funcione como um localizador, ou uma defesa, não sei...
Com uns 17 anos aconteceu uma coisa ainda mais estranha. A assistente lá de casa, evangélica, passou pela frente do meu quarto, e lá estava eu, mexendo no meu armário. Parei o que estava fazendo, olhei para ela, e depois voltei a remexer no armário. Então ela foi comentar com minha mãe, na sala, que eu estava acordado cedo pra um domingo, e minha mãe esclareceu que eu estava desde sábado na casa do meu pai, a 45km dali...
Bem, não fiquem apavorados com isso. Pode ter sido uma projeção, e graças à grande quantidade de energia densa que desprendo, posso ter ficado "vísível".
Com 25 anos aconteceu de, depois de sair da casa de um colega, horas depois ele me ver (ou pelo menos era uma coisa parecida comigo), na cozinha dele, em posição fetal, visivelmente perturbado. Ele procurou tocar "naquilo" e na mesma hora a coisa se desfez na frente dele. Minha opinião é de que era algum espírito sofredor que usou minha energia pra se materializar, e como ele não estava em condições mentais de plasmar sua propria "vestidura", usou a minha forma (que provavelmente vinha por
default na minha energia). Não era projeção, pois eu estava acordado nesta hora (no caso anterior pode ter sido).
Ok, podem ficar apavorados agora...
He he he... Achei que já tinha terminado essas coisas bizarras, mas aí ontem, enquanto reescrevia o post sobre o Livre arbítrio, aqui no trabalho, quando a campanhinha da salinha do juiz tocou. Já era 6 da noite, a maioria do pessoal do prédio já tinha saído. A salinha fica dentro do gabinete, onde eu estava. Me levantei, abri a porta, e fui apertar a campanhinha pra me certificar de que era a que eu ouvi. Era!
Na hora me lembrei do que a mulher que vê espíritos o tempo todo falou há 2 anos atrás, que quando ia limpar os gabinetes cedinho de manhã, encontrava algumas vezes certos juízes (desencarnados) "trabalhando" na salinha...
BUUUU...
Enviado às 12:25 PM
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COMUNICAÇÃO MEDIÚNICA - Parte II: Registros Históricos
A faculdade mediúnica se manifestou ao longo do tempo e está
registrada na nossa história, de forma muitas vezes deturpada. Eram muito comuns as consultas às
Pitonisas (ou Oráculos) que, através de substâncias alucinógenas (seja o vapor do vulcão Vesúvio, ou beberagens) ficavam vuneráveis à influência de uma entidade desencarnada, que podia então dar a sua mensagem, atuando como médium.
Um exemplo interessante da mediunidade está na Cabalá extática. Abraão Samuel bem Abulafia foi a figura mais poderosa dos
cabalistas extáticos. Sua formação era bem mais filosófica que rabínica, e sua doutrina foi toda inspirada na obra
Morê Nevuchim (O guia dos perplexos) e no
Sêfer Ietsirá (Livro da Criação).
Um pequeno
texto ilustra como ele preparava a si e a outros para receber as revelações do Divino:
"Esteja preparado para o teu Deus, ó filho de Israel. Apresta-te para dirigir teu coração a Deus só. Purifica teu corpo e escolhe uma casa solitária onde ninguém possa ouvir a tua voz. Assenta-te aí na tua cela e não revela a ninguém teu segredo. Se puderes, faze-o de dia em tua casa, mas é melhor que o executes durante a noite. No momento em que se prepara para falar ao Criador, se desejar que Ele lhe revele Sua potência, tome cuidado para abstrair todo o seu pensamento das vaidades deste mundo. Cobre-se com o seu manto de orações e coloca os
Tefilin na cabeça e nas mãos. Limpa seus trajes e, se possível, que todas as suas vestes sejam
brancas, pois tudo isto ajuda a conduzir o coração ao amor de Deus. Se for noite, acende muitas luzes até que tudo brilhe. Então apanhe tinta, uma pena, uma tábua, para sua mão, e lembra-se de que esta servindo a Deus na alegria do seu coração. Agora começa a combinar algumas letras ou um grande número de letras, a deslocá-las e combiná-las até que seu coração se aqueça. Então permaneça atento aos movimentos das letras e ao que possa produzir ao remexê-las. E quando sentir que seu coração já se aqueceu, quando ver que por combinação de letras lhe é dado aprender novas coisas que não poderia conhecer pela tradição humana ou por si mesmo, e quando estiveres assim preparado a receber o influxo da potência divina que penetra em si, emprega toda a profundidade de seu pensamento a imaginar em seu coração o Nome (D-us) e Seus anjos superiores, como se fossem
seres humanos sentados e postados junto de si. E considere um
mensageiro que o rei e seus ministros devem enviar em missão e que aguarda para ouvir algo sobre a sua missão, seja do próprio rei, seja dos seus servidores. Depois de haver imaginado tudo isto muito vivamente, aplica todo seu espírito a compreender com seus pensamentos as numerosas coisas que hão de vir a seu coração por meio das letras que imaginaste. Deve considerá-las como o todo em cada um dos seus pormenores como uma pessoa que conta uma parábola ou um sonho, ou que medita sobre um problema profundo em um livro científico. Tente então interpretar o que ouvir a fim de que isto possa na medida do possível concordar com a sua
razão. E tudo isto acontecerá depois de ter atirado ao longe a
tabuinha e a pena, ou depois que elas lhe escaparem devido à intensidade de seu pensamento."
Enviado às 7:23 AM
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Terça-feira, Novembro 04, 2003
LIVRE ARBÍTRIO versão 1.5
Uma das coisas que me irritam em certas doutrinas (ou do uso que fazem delas) é achar que tudo gira em torno dela. Por exemplo, o espiritismo. Kardec ficou fascinado ao descobrir este "novo mundo" (e,de fato, é fascinante) e então pensou que tudo o que acontece, até uma topada deve ter um fundo espiritual. Perguntou então aos espíritos, que trataram de desmistificar, no
Livro dos Espíritos:
P: Um homem deve morrer: ele sobe uma escada, a escada se quebra e o homem morre; são os Espíritos que fazem a escada quebrar para cumprir o destino desse homem?
R: No exemplo acima, a escada se rompe porque ela estava carcomida ou não bastante forte para suportar o peso do homem.
Se esse homem escolheu como prova perecer dessa maneira, formando uma
espécie de destino, eles lhe inspirarão o pensamento de subir por essa escada, que deverá se romper sob o seu peso, e sua morte terá lugar por um efeito natural, sem que seja necessário fazer um milagre para isso.
Kardec era um homem sábio. Seus seguidores é que não procuraram estudar outras fontes nestes mais de 100 anos que separam o estudo de Kardec dos tempos atuais. O problema é achar que tudo é ação dos espíritos, que somos manipulados por espíritos o tempo todo! Não! O ser humano tem livre arbítrio. Mas só que não conhecemos a extensão dele! Estamos presos numa Matrix, lidando com as limitações daqui e, mesmo fora dela, ainda vamos estar presos a certas
Leis que não conhecemos por inteiro
É muito comum a pessoa se irritar com o espiritismo quando chega num centro e o médium diz logo: "você está com um "encosto", precisa se tratar. Fique vindo aqui toda semana, tome passe e beba essa água fluidificada."
Ora, que coisa mais ridícula! Ele pode até estar com um
espírito trevoso do lado dele, mas também pode ser que seja o
guia espiritual do cara, podem ser
formas-pensamento doentias criadas pelo próprio cara, ou pode ser uma "camada" grosseira de energia densa, criadas pelo pensamento dele ou de outros em cima dele (mau-olhado).
Mas isso não é explicado! É provável que o médium nem saiba disso tudo (pois são baseadas em informações pós-Kardec, e eles não estudam nada além de Kardec!). É como se o paciente fosse um cachorro que deve ser tosado, vai pra uma sala de passes, entra e sai calado, acha aquilo tudo muito estranho... A sala de passes deveria ser mais como um consultório psiquiátrico, onde o encarnado é que deveria ser doutrinado, não com "leia kardec e se salve!" mas sim com uma conversa franca, onde a pessoa seria avaliada por inteiro (seus costumes, que lugares frequenta, como é o ambiente de trabalho, como está o relacionamento em casa...) e só aí é que haveria uma orientação (esse é o "estilo Oráculo" que eu tanto gosto). Se preciso fosse, tomaria passes (remédio paliativo, mas por vezes necessário) mas o que valeria mesmo é a
reeducação mental que a pessoa teria de se comprometer a fazer. Só assim a pessoa consegue se livrar de presenças intrusivas extrafísicas. Porque nós fazemos
escolhas. E são essas escolhas que determinam o que nós somos e o que seremos.
Nunca mais usei o filme Matrix como referência, então vamos lá:
Neo chega pra Oráculo (a do filme, claro) e quer uma orientação para o futuro, quer
respostas. Mas ele vai aprender (ESSA É A ORÁCULO!) que as respostas estão dentro dele mesmo...
- Você tem que escolher se vai aceitar o que vou te dizer ou rejeitar.
- Você já sabe se vou aceitar?
- Eu não seria um Oráculo se não soubesse.
- Se você já sabe, como eu posso fazer uma escolha?
- Porque você não veio aqui fazer uma escolha, você já fez. Você veio aqui para entender
porque você a fez.
- Você tem a visão Neo. Você está vendo o mundo sem tempo.
- E por que eu não consigo ver o que acontece com ela?
- Nós nunca conseguimos ver as escolhas que não compreendemos.
- Você está dizendo que eu tenho que escolher se Trinity vive ou morre?
- Não. Você já fez a escolha. Agora você tem que compreendê-la.
Vou usar um texto que retirei
daqui, que explica melhor do que eu poderia:
"Antes de reencarnar o Espírito escolhe a família, o meio social e as provas (moral e/ou física) por que tenha de passar, usando seu livre-arbítrio, baseado nas situações vividas no passado. Segundo a maneira como se comporta diante disso, o Espírito cria um "quadro de resgates" para o futuro: é o determinismo relativo. Esse quadro pode sofrer alterações em função dos próprios méritos do Espírito. Portanto, o livre-arbítrio é relativo - relativo à posição ocupada pelo homem na escala de valores espirituais. O homem não é absolutamente livre, nem determinado por fatores biológicos ou sociais (como produto do meio, e estamos repletos de casos assim); O homem subordina-se ao livre-arbítrio relativo e ao determinismo relativo. Enquanto a escolha está no campo das idéias, o homem é livre; mas, uma vez feita a escolha, mesmo em pensamento, ele se subordina à Lei de Ação e Reação.
A responsabilidade, no entanto, não é igual para todos e em consonância com a justiça divina temos: "ao que mais recebeu, mais será exigido". Isso equivale a dizer que o homem com menor evolução espiritual (experiência, discernimento) não saberá escolher com segurança entre o bem e o mal."
Nossa liberdade é ditada por nós mesmos, pelas situações que nós criamos no passado. Nossas amarras também. Quanto mais reincidentes nos erros você for, menos possibilidade de escolhas terá. Se você foi verdadeiramente amigo pra muitas pessoas nas suas outras vidas, então você terá MUITO mais portas abertas aqui na Terra. Nossos guias espirituais fazem projeções baseadas nas vidas de seus afetos e desafetos, e inserem você dentro deste contexto, com TUDO calculado para que você passe por um certo número de experiências que vão lhe amadurecer exatamente no que você
precisa para evoluir. Claro que eles não prevêem tudo. Temos liberdade para aprender mais um bocado de coisas por fora. É como se fosse o colégio: tem hora das aulas, e hora do recreio. Se você quiser estudar durante o recreio, tudo bem. Ao mesmo tempo, tem gente que brinca até mesmo na hora da aula, e isso é nosso livre arbítrio em ação.
Com base nas suas amizades, os espíritos fazem
acordos entre sí, no astral. Amigos se candidatarão a ser seu pai, sua mãe, muitos farão questão de ser seu/sua professor(a), amigo(a), namorado(a). E assim acontecem as "coindicências". Só que aqui não é bem um parque de diversões. Talvez você tenha de abdicar de uma ótima família pra ter como mãe ou pai o seu pior inimigo, porque é a forma mais eficiente e sincera de reconciliação... ou então de agravar os problemas, vai depender só de você - e aí está novamente o seu livre arbítrio! É como Oráculo falou: Você fez a escolha "lá em cima". Agora que está na Terra, é só uma questão de compreender o porquê da escolha.
Mas, e se eu tivesse a lembrança, não seria mais fácil? Não... primeiro, que você não nasceria. Sua mãe não ia querer dar a luz a um inimigo declarado. O que promove a união é exatamente o instinto materno, o lado animal, e é por isso que o espírito é "enjaulado" nesta prisão de carne, submetido ao jogo dos hormônios, que quase sempre é mais forte do que o espírito. Mas, mesmo que o espírito de sua mãe já tivesse lhe perdoado, você é que tentaria matá-la no primeiro NÃO que ela lhe desse. Mas, mesmo com o véu do esquecimento, isso ainda acontece: abortos sem motivo, rejeição do bebê por parte do organismo, filho(a) que mata os pais...
Um exemplo nerd de missão na Terra: Em Senhor dos Anéis, Frodo tinha uma missão, que era levar o Um Anel pra Mordor. Pra isso ele contou com a ajuda de amigos que ele anteriormente nem conhecia, mas também conquistou inimigos que ele também não conhecia... mas até mesmo os inimigos servem de auxílio, como o Gollum. Uma visão
espírita da história nos levaria a ver que Frodo, que não tinha nada a ver com o anel nessa vida, era na verdade o criador do Um Anel, há muuuuuito tempo atrás. Coube a ele dar um fim ao que começou (porque ninguém carrega a cruz do outro), e essa é a razão da fibra e da certeza que o Hobbit tem de que vai conseguir. Não que alguém mais não possa fazê-lo, mas precisa ser ele, pra que ele sinta todo o mal que desencadeou, e assim aprenda a lição. Para isso, ele veio como o ser mais fraco e pacífico da Terra Média, para que tivesse uma criação pacata e não sucumbisse à
tentação de ter poder. Quando alguém se propõe a seguir o Dharma (o fluxo, o caminho mais curto pra sua rápida evolução) sempre aparece gente disposta a ajudar. Ninguém fica realmente desamparado. São os amigos da Sociedade do Anel. E o Gollum era provavelmente o melhor amigo de Frodo, em vidas passadas, só que Frodo acabou desgraçando a vida do Gollum quando lhe confiou indiretamente a guarda do anel (através de uma "coincidências") e nessa vida Frodo quer reparar o erro, salvando sua alma. E é por isso que a relação dos dois é uma mistura de amor e ódio, que vai contra toda a lógica, uma espécie de compreensão mútua, que pode ser sentida no livro.
E, se não fosse o poderoso inimigo Sauron, como um pacato Hobbit descobriria ser detentor de tamanha coragem e força de vontade? Sim, as dificuldades da vida são molas propulsoras que nos impulsionam para além de nossas próprias limitações (que estão todas na nossa mente). Frodo vai aprender que não precisa de uma muleta, um Anel, pra poder ser forte.
Isso me lembra o caso de
aleijados que voltam a andar. A mente deles criou o próprio corpo (veículo de manifestação da mente) e só quando o espírito vence a matéria (através da fé, ou de sei lá o que) é que ele supera as limitações (físicas e mentais) impostas pela própria mente. É um avanço fantástico! Em apenas uma vida ele aprende (na prática) o que poderia levar centenas ou milhares de anos, se ele fosse sempre uma pessoa saudável! Na medida do possível, nós escolhemos nossas provas, sim. Quanto menos besteiras você fizer nesta vida, mais liberdade terá na outra, pois estamos todos interconectados, e até mesmo um mendigo que você humilhou nesta vida pode vir a ser o diretor do seu colégio (ou seu chefe) na próxima. Se ele for de guardar rancor, vai lhe perseguir sem um bom motivo, e sem mesmo saber porque (é algo que está entranhado na alma). E assim se estabelece um ciclo de perseguição mútua, cada vez com agressões maiores, que só terminarão quando um dos lados ceder e suportar tudo o que fez de errado pra aquela pessoa (a dívida kármica), sem que alimente raiva ou rancor em seu coração. Por outro lado, sabe aquela pessoa que você nem conhecia e ajudou desinteressadamente, sem a ver mais? Pode ser na outra vida um desconhecido que faça você perder o avião, avião este que irá cair.
Referência: Intervenção dos espíritos
- Vê aquelas aves? Em algum momento um programa é criado para cuidar delas. Outro programa é criado para cuidar das árvores, do vento, do nascer do sol e do pôr do sol. Esses programas funcionam por todo lugar. Uns fazendo seu trabalho, o que deveriam fazer, e que são invisíveis, nunca percebemos que estão aqui.
Mas os outros...bem... Ouvimos sobre eles toda hora.
- Eu nunca ouvi falar deles.
- Claro que ouviu. Toda vez que ouvir alguém dizer que viu um fantasma ou um anjo...
Enviado às 2:10 AM
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Domingo, Novembro 02, 2003
COMUNICAÇÃO MEDIÚNICA - Parte I: Os tipos de mediunidade
Médium é aquela pessoa que sente, em qualquer grau, a influência dos espíritos, mas comumente usamos o termo para denominar aqueles que recebem e transmitem comunicações dos "mortos". O médium é o intermediário entre duas dimensões: a espiritual e a material. A mediunidade é uma faculdade natural, inerente ao ser humano, independente de sua crença religiosa, podendo-se dizer que TODOS são, em maior ou menor grau, médiuns. Existem vários tipos de mediunidade, em cada pessoa se manifestando de forma diferente, mas podemos categorizar algumas:
Efeitos físicos: pessoas que possuem facilidade em desprender grandes somas de energia anímica (o Ki, ou Chi), mais densificada, que possibilita aos espíritos manipularem estas energias de forma que possam ser produzidos fenômenos materiais, como movimentação de objetos, ruídos, batidas, e até mesmo a
materialização de espíritos e
objetos.
Sensitivos: Sentem a presença dos espíritos através de arrepios, choques, dor ou alguma outra resposta do corpo. Ao desenvolverem essa sensibilidade, podem até identificar se o espírito é bom ou ruim.
Audientes: são capazes de ouvir as vozes das entidades. A boa conversa depende de uma presença boa; um "mau" espírito pode trazer transtornos ao seu ouvinte. Sabe aqueles doidos ou bêbados que vemos no meio da rua discutindo ou conversando aparentemente sozinhos? Pois é. Tem alguém (ou muitos) junto com eles, geralmente inimigos de outras vidas. Eles não têm a menor intenção de mostrar a alguém que são entidades desencarnadas, querem mesmo é que a pessoa passe por louca. Remédios, nesses casos, funcionam como paliativo, considerando que são entorpecentes que diminuem a atividade cerebral, bloqueando a mediunidade (assim, o paciente passa um tempo ser ver ou escutar nada "do além"). Os médiuns audientes são ótimos palestrantes, pois escutam tudo o que os espíritos têm pra dizer e apenas repetem.
Psicofonia e Inspiração: Existem aqueles que falam por "inspiração Divina", e pode-se notar isso mais claramente nas igrejas carismáticas, onde pessoas humildes fazem palestras acima de suas capacidades intelectuais. O que há é uma "ajuda externa", um fluxo de idéias e palavras que é "inserido" no cérebro do médium, como um "pacote" de informações. Pode-se notar, principalmente nas palestras espíritas, que há ligeiras pausas para se concentrar, e depois voltar a falar uma torrente de palavras, como se estivesse fazendo o download de um vídeo pela
internet. O espírito não precisa necessariamente tomar o corpo da pessoa, apenas atua
magnetizando o cérebro para que se estabeleça a comunicação mente-a-mente. O médium acaba utilizando as próprias palavras, o próprio jeito de falar, e não raro, o espírito se vale da própria experiência do médium pra passar sua mensagem da melhor forma. Esse "método de inspiração" também é usado não só na fala, como na
escrita. Nos dois casos, o médium está plenamente consciente, e jura que o resultado foi produto de sua mente. E, de certa forma, foi mesmo, pois o que a pessoa fez foi captar a
essência e trabalhar a
forma, como um artista faz com o barro. Sabe-se quando isso acontece ao, tempos depois, você ler um texto seu, e se espantar ao ver que nem parece que foi você que fez, de tão bom. E então achar que nesse dia estava "inspirado".
Clarividentes: possuem a faculdade de ver os espíritos. Essa visão é propiciada não pelos olhos, e sim pela
alma, o que torna possível a alguns cegos desenvolverem esta sensibilidade. Há pessoas que vislumbram coisas do passado ou futuro. No primeiro caso, podem ver espíritos andando pela casa ou certos acontecimentos chocantes que NÃO são mais espíritos, e sim uma forma mental que foi formada justamente pela força mental que foi desprendida naquela
ação do espírito. Isso não é o que se poderia chamar de "dom". É um fardo pesado, pois, quando os espíritos percebem que alguma pessoa a viu, vão até ela, pra dar recado pra parentes, desabafar ou simplesmente pra perturbar. Há muita gente internada em sanatórios por não saber lidar com isso...
Incorporadores: Há os que perdem a consciência e se deixam comandar livremente pelos espíritos (que assumem
todas as funções do corpo do médium) e aqueles que estão apenas sob
influência deles. É importantíssimo que o cérebro em que o espírito atua tenha muita "matéria prima" pra que o espírito possa passar sua mensagem. Imagine o cérebro de um analfabeto como uma sopa de letrinhas: um A aqui, um E alí, e o espírito vai ter um trabalhão pra juntar tudo e fazer uma palavra. Agora imagine que já tenha um vocabulário básico disponível: chega-se no "balcão", pega-se a palavra pronta e a coloca na frase. Agora imagine se o médium dispuser de muitos sinônimos, uma mente fértil, aberta a novas idéias, e com outras línguas já "pré-instaladas" no cérebro, não fica bem mais fácil? É por isso que os espíritos recomendam que o médium estude, evolua, leia bastante, para que haja um eco, uma sintonia, pois não se pode operar um corpo humano sem ter que lidar com as limitações dele. Segundo Divaldo, Chico Xavier, homem simples sem muito estudo, teve o dom da psicografia graças às suas outras vidas, onde fora um amante das letras, mas ainda assim ralou muito nesta vida para assimilar o linguajar dos espíritos. No começo escrevia as mensagens sempre com um dicionário à mão. Para melhor escrever livros, é preciso familiarizar o médium com o
ambiente e os personagens.
Curadores: são capazes de
curar (com a doação intensa de energias benéficas, que Oráculo chama, com razão, de
amor) com um toque, uma prece, um olhar, e sem qualquer medicação. É uma faculdade espontânea, não havendo necessidade do médium estar preparado por estudos de medicina ou formas de magnetização. Quem leva jeito pra Reiki na verdade está doando sua energia, mas, bem... não quero me envolver em discussões infrutíferas.
Psicografia: nesse caso, ou os espíritos ditam as mensagem para o médium escrever, ou assumem o controle apenas do braço, ou ainda incorporam, o que facilita ainda mais o trabalho dos espíritos (pois o médium não atrapalha). Divaldo Pereira Franco, grande palestrante espírita, nos conta que enquanto o Espírito escrevia, ele tinha a sensação de que podia ver, como em um cinema, cenas dos acontecimentos, e até mesmo sentir as emoções dos personagens, como se fosse com ele. Ao despertar encontrava nas páginas escritas uma síntese de tudo o que vira. É importante que o médium deixe sua mente livre para que o espírito possa trabalhar, pois mesmo inconscientemente pode haver interferências, como nos conta Divaldo: "Havia uma cena especial de um crime, que me inquietou muito. Fiquei a pensar como a personagem, autora de um crime perverso, iria resgatar a hediondez perante as Leis Divinas. Comecei a conceber um recurso punitivo. No dia seguinte, o espírito escritor fez uma reprimenda:
- Por favor, não interfira no meu trabalho. A personagem desencarnou na década de 40 do século XVIII, não podendo, portanto, o senhor planejar o cumprimento das severas Leis de Justiça.
A psicografia continuou; porém, ao terminar, não entendi o texto, e tudo parecia desconexo. O Autor explicou-me que, em razão de não me encontrar com a mente e a emoção disciplinadas, ele iria escrever os capítulos sem qualquer ordem, e que somente no fim a estabeleceria."
Chico Xavier também experimentou o mesmo "cineminha" enquanto psicografava seu primeiro romance: O livro
Há 2 mil anos, com as memórias do seu guia espiritual Emmanuel. Chico via todas as cenas, como se estivesse ao mesmo tempo dentro e fora de um filme. Emmanuel explicou: "Você está sob certa hipnose, e está vendo o que eu estou pensando, mas não sabe o que eu estou escrevendo."
Nos primeiros anos de psicografia, Chico sentia uma pressão na cabeça - como se um cinto de chumbo comprimisse seu cérebro - e um peso no braço direito, como se ele se transformasse numa barra de ferro, e fosse arrastado por forças poderosas. Era uma reação involuntária a um controle externo do corpo. Dois anos depois, os sintomas cessaram, quando ele aprendeu a "deixar fluir".
Referência: Tipos de mediunidade no espiritismo; Características da mediunidade
Enviado às 12:06 AM
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